ORIGENS DO COOPERATIVISMO DO MODERNO
- As Formas Primitivas de Cooperação
Em todas as épocas da existência da humanidade
encontram-se exemplos de trabalho e economia coletiva que se aproximam às
atuais cooperativas.
No povo romano encontram-se as origens das formas de economia coletiva. Conserva-se até hoje a posse ou a utilização para todos os habitantes, da pastagem comunal, da floresta comunal e da criação em comum de gado.
Os babilônios formaram organizações semelhantes às nossas associações de arrendamento de terras
Em todos os povos germânicos, a vida agrária se desenvolveu desde os primórdios sobre bases cooperativas. Até os tempos modernos foram mantidas associações que datam da antiguidade, cujo fim era a realização de certos objetivos comuns, como por exemplo: associações de drenagem, de irrigação, de diques, de serrarias.
No povo romano encontram-se as origens das formas de economia coletiva. Conserva-se até hoje a posse ou a utilização para todos os habitantes, da pastagem comunal, da floresta comunal e da criação em comum de gado.
Os babilônios formaram organizações semelhantes às nossas associações de arrendamento de terras
Em todos os povos germânicos, a vida agrária se desenvolveu desde os primórdios sobre bases cooperativas. Até os tempos modernos foram mantidas associações que datam da antiguidade, cujo fim era a realização de certos objetivos comuns, como por exemplo: associações de drenagem, de irrigação, de diques, de serrarias.
Através
da história dos povos, os homens, que são seres eminentemente gregários,
sentiram a necessidade da cooperação para melhor poderem assegurar a sua
sobrevivência, prover a sua prosperidade e conquistar os seus objetivos.
- As Origens do Cooperativismo Moderno
As
origens históricas do cooperativismo moderno têm como referência a sociedade
inglesa do séc. XIX, que vivia o impacto das transformações no mundo do
trabalho, em decorrência da Revolução Industrial.
O
advento da era das máquinas modifica profundamente as relações de produção e a
conseqüente necessidade de divisão do trabalho. A economia, que desde a Idade
Média era exercida por corporações profissionais, nas quais o artesão exercia
sua atividade em casa ou numa dependência anexa, passou por uma mudança
radical, em que as corporações, perderam seu lugar a favor do sistema
capitalista de produção.
No
séc. XIX a mecanização no setor têxtil sofre impulso extraordinário com a
invenção da máquina a vapor, aumentando a produção de tecidos em grande escala.
Estradas são construídas, surgem as ferrovias e se desenvolvem outros setores,
como o metalúrgico. Novas fontes de energia como o petróleo e a eletricidade
substituem o carvão.
Com o
avanço da industrialização e urbanização, muitas famílias que desenvolviam o
trabalho de forma artesanal nas antigas corporações e manufaturas, se viam
obrigadas a vender a sua força de trabalho, em troca do salário para
sobreviver.
O
inédito progresso instaurado no séc. XIX não oculta os graves problemas sociais
impostos a classe trabalhadora, com a exploração do trabalho e das condições
subumanas de vida:
-
extensas jornadas de trabalho, de dezesseis a dezoito horas diárias;
-
condições insalubres de trabalho;
-
arregimentação das crianças e mulheres como mão-de-obra mais barata;
-
trabalho mal remunerado.
A
mecanização da indústria, ao mesmo tempo em que fazia surgir a classe
assalariada promovia o desemprego em massa, consequentemente, a miséria
coletiva e os distúrbios sociais.
A intranquilidade social tornou-se campo fértil para a formação das mais variadas
oposições ao liberalismo econômico. Surgiram as primeiras organizações dos
trabalhadores (sindicatos, associações de operários, cooperativas de ajuda -
mútua, comitês de fábrica) desencadeando movimentos de reivindicação e
reclamando por uma mudança social, econômica e política.
Estas
iniciativas configuravam-se como uma possibilidade de transformação do contexto
de deterioração social generalização da classe trabalhadora. Foram as primeiras
expressões de denúncia, de autodefesa e de sobrevivência diante da condição que
viviam.
É
nesse contexto que nasceu o embrião do cooperativismo moderno. Representou
sobretudo, a organização dos trabalhadores para fazer frente às conseqüências
sociais e econômicas do capitalismo do séc. XIX.
- Os Precursores do Cooperativismo
As
primeiras idéias cooperativistas surgiram, sobretudo, na corrente liberal dos
socialistas utópicos do séc. XIX e nas experiências que marcaram a primeira
metade do séc. XX.
Generalizava-se,
nessa época, grande entusiasmo pela tradição de liberdade e, ao mesmo tempo, o
ambiente intelectual dos socialistas estava impregnado de ideal de justiça e
fraternidade.
Foi
nesse quadro intelectual, somado à realidade constituída pelo sofrimento da
classe trabalhadora, que se criou o contexto propício ao aparecimento das
cooperativas: nasceram da necessidade e do desejo da classe trabalhadora em
superar a miséria pelos seus próprios meios (ajuda - mútua).
Estes
pensadores surgiram na Inglaterra e na França, isto é, nos principais países da
época que realizavam a revolução industrial. Dentre os socialistas que maior
influência exerceram sobre o cooperativismo, destacam-se:
- JONH BELLERS (1654-1725) Nasceu na
Inglaterra e tentou organizar cooperativas de trabalho, para terminar com o
lucro e as indústrias inúteis;
- CHARLES GIDE (1847-1932) Francês,
professor universitário, é conhecido mundialmente por suas obras sobre economia
política e cooperativismo.
- ROBERT OWEN (1771-1858) Nasceu na Inglaterra e é considerado o pai do
cooperativismo. Combateu o lucro e a concorrência, por considerá-los os
principais responsáveis pelos males e injustiças sociais. Investe em inúmeras
iniciativas de organização dos trabalhadores, preocupado com as condições de
vida dos proletariados inglês, funda escolas para filhos de operários.
- WILLIAN KING (1786-1865) Também inglês, tornou-se médico famoso e dedicou ao
cooperativismo de consumo. Engajou-se em prol de um sistema cooperativista
internacional.
- PHILIPPE BUCHEZ (1792-1865) Nasceu na Bélgica, buscou criar um cooperativismo
autogestionado, independente do Governo ou de ajuda externa. Na França ele
tentou organizar “associações operárias de produção”, que hoje são chamadas de
cooperativas de produção.
- LUIS BLANC (1812-1882) Francês, foi um grande político que se preocupou com o
direito ao trabalho, defendendo a liberdade baseada na educação geral e na
formação moral da sociedade.
- CHARLES FORUIER (1772-1858) Nasceu na França e foi o idealizador das cooperativas
integrais de produção, criando comunidades onde os associados tinham tudo em
comum. Essas comunidades eram chamadas de falanstérios.
Todos
esses pensadores contribuíram para a formação de concepções, princípios e
políticas de ação das cooperativas modernas, ao defenderem: a) a idéia de
associação e ênfase na união em atividades sociais e econômicas; b) a
cooperação como força de ação emancipadora da classe trabalhadora, através da
organização por interesses de trabalho; c) esta organização se faz por
iniciativa própria, cujo controle e administração deve ser democrático e
autogestionado.
- A Primeira Cooperativa “Os pioneiros
de Rochdale”
A
história dos operários tecelões da cidade de Rochdale – “Pioneiros de Rochdale”
– situada no condado de Lancashire na Inglaterra – tem sido a grande referência
para o cooperativismo moderno.
A
Inglaterra do início do séc. XIX passava por uma série crise, reflexo da luta
entre os tecelões, os antigos condados herdados dos senhores feudais e a era
industrial.
Prejudicados
pelo novo modelo econômico que substituiu o trabalho artesanal pela produção
industrial, os trabalhadores tiveram que enfrentar os problemas básicos da
sobrevivência humana: falta de moradia, acesso à educação, saúde e alimentação
e ao alto índice de desemprego, em virtude da mão-de-obra excedente.
Diante
dessa situação tão difícil, os trabalhadores passaram a buscar alternativas
visíveis, que pudessem garantir a sobrevivência e o sustento de suas famílias.
Diante
dos problemas que já se tornavam angustiantes em toda a Europa, um grupo de
operários tecelões ingleses – 27 homens e uma mulher -, sob influência dos
primeiros intelectuais socialistas, decidem fundar a Cooperativa de Consumo,
denominada “Rochdale Society of Equitable Pionees”, registrada em 24 de outubro
de 1844, na cidade de Rochadale – Inglaterra. E no dia 21 de dezembro de 1844,
com o capital inicial de 28 libras, inauguraram o seu famoso armazém de Toad
Lane, o Beco do Sapo.
Desta
forma, os 28 tecelões ingleses, entre eles uma mulher – Anee Tweedale - imortalizaram-se como os PIONEIROS DE ROCHDALE.
Esses
pioneiros – tecelões cooperados – começaram a juntar os primeiros fundos
necessários para realizar seu projeto de vida:
-
Abrir um armazém comunitário para a venda de provisões, roupas, etc.
-
Comprar e construir casas destinadas aos membros que desejarem amparar-se
mutuamente para melhorar sua condição doméstica e social;
-
Iniciar a manufatura dos produtos que a cooperativa julgar conveniente, para o
emprego dos que se encontram sem trabalho ou daqueles que sofrem reduções
salariais;
-
Para garantir mais segurança e bem-estar, a cooperativa compraria ou alugaria
terra que seria cultivada pelos membros desempregados;
- Organizar
as forças de produção, de distribuição, de educação e desenvolver a
administração democrática e autogestionária do empreendimento.
Os
objetivos e forma de organização social do trabalho e economia da Cooperativa
de Rochdale transformaram-se, posteriormente, em Princípios do Cooperativismo
mundial.
Prof. Erinaldo Barbosa da Silva - UFVJM.
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