terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O MÉTODO COOPERATIVO APLICADO A ORGANIZAÇÃO DO QUADRO SOCIAL

O MÉTODO COOPERATIVO

O método adequado para a educação/capacitação cooperativista possibilita a participação do maior número possível de cooperados.  Ele respeita a pessoa humana, tornando-a sujeito e agente do processo. Não domestica, nem impõe, mas cria espaços para que todos debatam, analisem e cheguem à posição mais conveniente do grupo em relação ao assunto em pauta.
Para que isso possa ocorrer, é imprescindível que todos se sintam plenamente à vontade, sem constrangimentos. O local da reunião deve ser bem escolhido. È aconselhável que se opte por um local onde a comunidade costuma se reunir. Nesse sentido é sempre interessante consultar as lideranças locais. Se os participantes preferirem se reunir ao ar livre, não há restrições, só que exige do técnico ou do coordenador da reunião providências para que todos possam ouvir, falar e ver o que é abordado.
Alguns aspectos básicos devem ser observados para um procedimento metodológico correto, ou seja:
- Partir sempre de problemas, necessidades interesses, aspirações e potencialidades do público participante. Isso exige do técnico um processo permanente de pesquisa, que pode ser feita em contatos, visitas, reuniões, etc.
- Ordenar os assuntos acima levantados, juntando-os por afinidade e tirando todas as repetições, de forma que resultem em blocos homogêneos;
- Priorizar, com os participantes, os blocos homogêneos acima identificados, a partir das potencialidades do grupo para solucioná-los; A questão a ser colocada ao grupo é: quais desses problemas nós mesmos temos condições de resolver? Isso leva a uma análise mais aprofudada de cada problema, sua origem, sua dimensão atual e os malefícios que causa à coletividade; e
- Escolher, com os participantes, o primeiro problema a ser atacado, definindo conjuntamente uma estratégia de ação a curto, médio e longo prazos, envolvendo os próprios participantes na ação a ser desenvolvida. Essa ação deve prever os seguintes aspectos básicos:
- o que fazer?      - quem vai fazer?              - até quando?
No início não é bom sobrecarregar o grupo, pois primeiro ele precisa se organizar internamente e conquistar autoconfiança. O próprio grupo vai ampliando sua ação, na medida em que descobre o seu potencial.
Acompanhar a ação. As pessoas que assumem tarefas pela primeira vez, sentem muita insegurança. Deve-se dar apoio e estímulo, mas nunca substituí-la nas suas funções. É fazendo, que se aprende.
Revisar a ação. Esse é o momento para avaliar os acertos e as falhas, esclarecer as dúvidas, orientar sobre procedimentos e reencaminhar a ação, inclusive as próximas reuniões.
Registrar, em ata ou relatório, o que ocorreu em cada reunião, inclusive com lista dos participantes, para memória do grupo. Esse registro deve se limitar aos aspectos da reunião, sem entrar em mínimo detalhes;e
Marcar, com o grupo, a próxima reunião, definindo local e data, além do assunto a ser tratado.
A reunião é o principal instrumento de trabalho do técnico em educação/cooperativista e por isso ela será abordada sob diversos prismas:
A disposição da sala
Sugere-se que a sala seja organizada em forma de U, com cadeiras soltas e com visualização via quadros e flip-chart, etc
Infra-estrutura da sala
Cabe ao técnico ou coordenador da reunião tomar todas as providências para deixar a sala adequadamente preparada para o tipo de reunião a ser realizada.
A equipe de apoio
Além do coordenador, convém que haja uma pessoa para visualizar o que está sendo produzido pelo grupo, através de anotação de aspectos chaves da discussão, registrados, com pincel atômico, em folhas de “flip-chart” ou papel de parede. Antes e durante o processo acontecem ações individuais, através de contatos e visitas de técnicos, líderes ou qualquer membro da comunidade, cujas ações são úteis para:
- Comprometer e reforçar a participação no trabalho grupal;
- Viabilizar estratégias a serem desenvolvidas com os grupos;
- Reforçar o diagnóstico.

DIAGNÓSTICO DE INTERESSES E NECESSIDADES GRUPAIS

- O diagnóstico deve ser realizado com base na organização da comunidade ou do público envolvido (cooperados, familiares, dirigentes, técnicos e funcionários), para que estes participem de todas as etapas do processo de pesquisa;
- A realidade vai sendo diagnosticada no processo da sua transformação, mas há momentos específicos em que esse diagnóstico é sistematizado, para viabilizar o reencaminhamento de ações educativas. Nesse momento ele deve:
a) identificar as características sociais e econômicas, bem como as necessidades, interesses e potencialidades do público alvo em relação à cooperativa ou à comunidade;
b) reunir os dados que permitirão entender a história do público, suas ações, reações e intenções. Assim se permite ao técnico e ao público a melhor compreensão do momento para tomar a decisão de como agir; e
c) pautar-se no diálogo problematizador, ouvindo com atenção a todos e estimulando o raciocínio grupal (comportamento ativo).

OBSERVAÇÃO:

O diagnóstico da realidade pode ser falso quando:
- Não leva em consideração o potencial intelectual e moral dos cooperados;
- Usa os cooperados como simples informantes e não como agentes na transformação da sociedade e como produtores de um novo saber; e
- Não situa o planejamento e a execução/avaliação como processo único, que envolve permanentemente os cooperados, funcionários, técnicos e dirigentes da cooperativa.

Prof. Erinaldo Barbosa da Silva – UFVJM/Diamantina

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