O MÉTODO COOPERATIVO
O método adequado
para a educação/capacitação cooperativista possibilita a participação do maior
número possível de cooperados. Ele
respeita a pessoa humana, tornando-a sujeito e agente do processo. Não
domestica, nem impõe, mas cria espaços para que todos debatam, analisem e
cheguem à posição mais conveniente do grupo em relação ao assunto em pauta.
Para que isso possa
ocorrer, é imprescindível que todos se sintam plenamente à vontade, sem
constrangimentos. O local da reunião deve ser bem escolhido. È aconselhável que
se opte por um local onde a comunidade costuma se reunir. Nesse sentido é
sempre interessante consultar as lideranças locais. Se os participantes
preferirem se reunir ao ar livre, não há restrições, só que exige do técnico ou
do coordenador da reunião providências para que todos possam ouvir, falar e ver
o que é abordado.
Alguns aspectos
básicos devem ser observados para um procedimento metodológico correto, ou
seja:
- Partir sempre de
problemas, necessidades interesses, aspirações e potencialidades do público
participante. Isso exige do técnico um processo permanente de pesquisa, que
pode ser feita em contatos, visitas, reuniões, etc.
- Ordenar os assuntos
acima levantados, juntando-os por afinidade e tirando todas as repetições, de
forma que resultem em blocos homogêneos;
- Priorizar, com os
participantes, os blocos homogêneos acima identificados, a partir das
potencialidades do grupo para solucioná-los; A questão a ser colocada ao grupo
é: quais desses problemas nós mesmos temos condições de resolver? Isso leva a
uma análise mais aprofudada de cada problema, sua origem, sua dimensão atual e
os malefícios que causa à coletividade; e
- Escolher, com os
participantes, o primeiro problema a ser atacado, definindo conjuntamente uma
estratégia de ação a curto, médio e longo prazos, envolvendo os próprios
participantes na ação a ser desenvolvida. Essa ação deve prever os seguintes
aspectos básicos:
-
o que fazer? - quem vai fazer? - até quando?
No início não é bom
sobrecarregar o grupo, pois primeiro ele precisa se organizar internamente e
conquistar autoconfiança. O próprio grupo vai ampliando sua ação, na medida em
que descobre o seu potencial.
Acompanhar a ação.
As pessoas que assumem tarefas pela primeira vez, sentem muita insegurança.
Deve-se dar apoio e estímulo, mas nunca substituí-la nas suas funções. É
fazendo, que se aprende.
Revisar a ação.
Esse é o momento para avaliar os acertos e as falhas, esclarecer as dúvidas,
orientar sobre procedimentos e reencaminhar a ação, inclusive as próximas
reuniões.
Registrar, em ata
ou relatório, o que ocorreu em cada reunião, inclusive com lista dos
participantes, para memória do grupo. Esse registro deve se limitar aos
aspectos da reunião, sem entrar em mínimo detalhes;e
Marcar, com o
grupo, a próxima reunião, definindo local e data, além do assunto a ser
tratado.
A reunião é o
principal instrumento de trabalho do técnico em educação/cooperativista e por
isso ela será abordada sob diversos prismas:
A disposição da sala
Sugere-se que a
sala seja organizada em forma de U, com cadeiras soltas e com visualização via
quadros e flip-chart, etc
Infra-estrutura da sala
Cabe ao técnico ou
coordenador da reunião tomar todas as providências para deixar a sala
adequadamente preparada para o tipo de reunião a ser realizada.
A equipe de apoio
Além do
coordenador, convém que haja uma pessoa para visualizar o que está sendo
produzido pelo grupo, através de anotação de aspectos chaves da discussão,
registrados, com pincel atômico, em folhas de “flip-chart” ou papel de parede.
Antes e durante o processo acontecem ações individuais, através de contatos e
visitas de técnicos, líderes ou qualquer membro da comunidade, cujas ações são
úteis para:
- Comprometer e
reforçar a participação no trabalho grupal;
- Viabilizar
estratégias a serem desenvolvidas com os grupos;
- Reforçar o
diagnóstico.
DIAGNÓSTICO DE INTERESSES E
NECESSIDADES GRUPAIS
- O diagnóstico
deve ser realizado com base na organização da comunidade ou do público
envolvido (cooperados, familiares, dirigentes, técnicos e funcionários), para
que estes participem de todas as etapas do processo de pesquisa;
- A realidade vai
sendo diagnosticada no processo da sua transformação, mas há momentos
específicos em que esse diagnóstico é sistematizado, para viabilizar o
reencaminhamento de ações educativas. Nesse momento ele deve:
a) identificar as
características sociais e econômicas, bem como as necessidades, interesses e
potencialidades do público alvo em relação à cooperativa ou à comunidade;
b) reunir os dados
que permitirão entender a história do público, suas ações, reações e intenções.
Assim se permite ao técnico e ao público a melhor compreensão do momento para tomar
a decisão de como agir; e
c) pautar-se no
diálogo problematizador, ouvindo com atenção a todos e estimulando o raciocínio
grupal (comportamento ativo).
OBSERVAÇÃO:
O diagnóstico da
realidade pode ser falso quando:
- Não leva em
consideração o potencial intelectual e moral dos cooperados;
- Usa os cooperados
como simples informantes e não como agentes na transformação da sociedade e
como produtores de um novo saber; e
- Não situa o
planejamento e a execução/avaliação como processo único, que envolve
permanentemente os cooperados, funcionários, técnicos e dirigentes da
cooperativa.
Prof. Erinaldo
Barbosa da Silva – UFVJM/Diamantina
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