ECONOMIA SOLIDÁRIA POPULAR
A Economia Solidária Popular pode ser
definida como uma prática social com conteúdo eminentemente econômico, atrás do
qual estão diferentes projetos de natureza social, política e cultural, sempre
de acordo com os interesses do agrupamento social ou das instituições e
indivíduos que o integram ou o condicionam. A sua emergência nos tempos
modernos se procede pelas condições materiais concretas de produção e dinâmica
do processo social da correlação de forças que nela se estabeleceu e as
condições políticas gerais vigentes no país, em termos conjunturais e
estruturais, que norteiam a definição e moldam a prática da sócio-economia.
Tanto
no campo como na cidade as experiências da economia solidária popular buscam
solucionar problemas comuns das classes excluídas, permanentes ou
temporariamente do processo de geração e usufruto da riqueza social. Essas
experiências se interessam pela democratização das chances econômicas e sociais
dos indivíduos, portanto agregam diversas experiências que se encontram em
quase todos países do mundo, em razão da economia solidária se apresentar,
também, como um movimento que se contrapõem processo de expansão capitalista.
Nesse
aspecto, o movimento da economia solidária se baseia em princípios que visam a
formação de um novo homem, criação de uma sociedade baseada em valores tais
como: solidariedade, liberdade, cooperação, ajuda-mútua, entre-ajuda, educação,
formação e informação, democracia interna, participação, política social e
econômica dos indivíduos.
Na
economia solidária os empreendimentos são de caráter coletivo, são sociedades
civis de grande interesse público, pois seus colaboradores buscam a melhoria
das condições de existência. Contudo, é difícil e antagônica, a inserção na
economia de excluídos sem que haja um incremento de capital, este, por sua vez,
também deve ser originado de organizações populares cujos objetivos não sejam
os mesmos que de uma instituição de crédito tradicional, pelo contrário, seus
beneficiários têm que ser donos-usuários emancipados e gestores dos Bancos
Populares, entidades de crédito cooperativo.
A
propriedade na economia solidária popular é considerada uma forma de
propriedade socialista, menos extensiva que a propriedade estatal, já que nela
os meios de produção e a produção mesma não pertencem a toda a sociedade, senão
a uma coletividade determinada, sem muitas diferenças essenciais, já que uma e
outra buscam excluir a exploração do homem pelo homem e pressupõem trabalho
coletivo e beneficio social.
O
objetivo primordial das práticas da economia solidária popular é aumentar as
possibilidades de superação da exploração do capital sobre o trabalho, através
da organização autônoma de atores sociais em torno de atividades produtivas que
lhe permitam integrar a uma rede solidária de experiências concretas de
iniciativas econômicas igualitárias e justas.
Em resumo, a economia solidária
popular é uma resposta positiva ao processo de marginalização do proletariado,
um sintoma de que uma humano-economia tem que ser inventada e praticada, que a
economia que desconsidera o homem e o coloca apenas como meio de produção está
fadada a criar mais injustiça seja na distribuição, seja na produção. A
economia solidária popular é parte do terceiro setor fruto do desenvolvimento
da sociedade de classes que, por sua vez, denuncia todas as mazelas do
capitalismo e aponta uma solução coletivista e democrática para nossa
sociedade, aliando produção e crédito autogestionários.
Prof. Erinaldo Barbosa da Silva
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